“Tecnicamente, só é doutor quem defende um doutorado. Médicos e advogados, por exemplo, que não possuem doutorado, estranhariam muito se a sociedade deixasse de chamá-los de doutores, porque é, de fato, um costume.
Alguns filósofos levantam uma questão que diz que, se forem tirados estes pronomes de tratamento (como o Vossa Excelência), as pessoas em geral terão outra visão destes representantes do poder – de modo que eles passem a ser vistos como comuns.
Porém, eu, Pondé, não acredito que ficar discutindo o costume que muitas pessoas têm de chamar a pessoa de “doutor” em uma padaria ou em um restaurante seja, realmente, relevante – pelo contrário, acredito que há muito mais a ser discutido que não isso. E, sendo doutor, não me sinto diminuído por saber que há pessoas sem doutorado sendo chamadas de doutoras, pois isso não tira minha identidade de doutor verdadeiro”.
Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do trecho da participação de Luiz Felipe Pondé no Jornal da Cultura em 10/04/2017.

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