FALTA DE FRIGORÍFICO LEGALIZADO EM ITORORÓ OBRIGA TRABALHADORES AO ABATE CLANDESTINO
Na última terça-feira, 30 de setembro de 2025, Itororó sediou um importante debate sobre o abate clandestino de bovinos, realidade que afeta não apenas o município, mas também toda a região. O encontro reuniu representantes da Vigilância Sanitária, Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), Prefeitura Municipal de Itororó, Ministério Público Estadual e Câmara de Vereadores, além do prefeito Dr. Adauto e do vice-prefeito João Brito, com a participação de lideranças de Firmino Alves e Itaju do Colônia.
Desde 2012, quando o antigo matadouro de Itororó foi fechado, a cidade vive sem um frigorífico legalizado. O resultado é um paradoxo: Itororó é reconhecida como a terra da carne de sol, com marca patenteada desde 2012 e lei de reconhecimento estadual aprovada em 2024, mas continua sem estrutura regularizada para garantir a qualidade e segurança do produto que tornou a cidade famosa em todo o Brasil.
Na prática, o sistema público estadual praticamente obriga pais de família — comerciantes da carne de sol e magarefes — a cometerem crimes ambientais, sanitários e contra a defesa do consumidor. Sem alternativa, esses trabalhadores são empurrados para a clandestinidade, realizando abates sem fiscalização, colocando em risco a saúde da população e sendo injustamente criminalizados.
Enquanto isso, os produtores locais são obrigados a utilizar o frigorífico Frigosol, em Itapetinga, arcando com custos elevados e transferindo a arrecadação de impostos para outro município, o que enfraquece ainda mais a economia de Itororó.
A legislação estadual, que impede a construção de frigoríficos em um raio inferior a 100 km, é apontada como o maior obstáculo. Lideranças defendem que a Assembleia Legislativa da Bahia revogue ou flexibilize essa regra, reconhecendo a excepcionalidade de Itororó, já consagrada como capital da carne de sol.
Após quase 20 anos de espera, a cobrança agora se volta diretamente ao governador Jerônimo Rodrigues, para que compreenda a urgência do tema e atenda a uma demanda histórica da população e dos comerciantes da carne de sol.







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