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 Educação precisa ser prioridade em Jussari

A falta de planejamento e de prioridade na gestão pública tem consequências diretas na vida das pessoas — e, em Jussari, quem está pagando essa conta são os  alunos do Ensino Fundamental II e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O ano letivo estava oficialmente previsto para começar no dia 23 de fevereiro de 2026. Pais organizam suas rotinas, alunos criam expectativas e professores se preparam. No entanto, ao chegarem à escola, encontraram uma realidade inaceitável: não havia estrutura para o início das aulas. Uma reforma mal planejada acabou se transformando praticamente na demolição do prédio, deixando centenas de estudantes sem sala de aula.

Era evidente que uma obra dessa magnitude não seria concluída em poucos meses. Mesmo assim, ela foi iniciada às vésperas do calendário escolar, sem que houvesse um plano estruturado para garantir a continuidade das aulas ou a realocação adequada dos estudantes.

Estamos falando de um investimento superior a um milhão e meio de reais, que deveria representar avanço para a educação do município, mas começou gerando retrocesso. Mais grave ainda é saber que já havia sido anunciada, na gestão anterior, a construção de uma nova escola padrão FNDE para substituir o prédio antigo da década de 1980, que de fato já não atendia às necessidades atuais. Se existia um projeto estruturante para resolver o problema de forma definitiva, por que iniciar uma intervenção dessa forma, sem planejamento e sem garantir o funcionamento das aulas?

Agora, às pressas, a gestão tenta corrigir a falta de planejamento improvisando soluções. As aulas foram iniciadas com alunos distribuídos em diferentes pontos da cidade, funcionando em prédios públicos, espaços particulares e até igrejas, muitos deles sem qualquer condição adequada de funcionamento para uma escola, sem a estrutura necessária para garantir um ambiente digno de ensino e aprendizagem.

Educação não pode ser tratada com improviso. Nossos jovens precisam de estabilidade, estrutura adequada e respeito. A EJA, que já enfrenta tantos desafios, não pode mais uma vez ser colocada em segundo plano.

Diante de uma situação tão grave, surge uma pergunta que ecoa na comunidade: onde estão as instituições que deveriam zelar pelo direito à educação?

Onde está o Conselho Municipal de Educação, que deveria acompanhar e fiscalizar as condições do ensino no município?

Onde está o Conselho Tutelar, que tem a responsabilidade de garantir os direitos das crianças e adolescentes?

Onde estão os vereadores, cuja função também é fiscalizar os atos do Poder Executivo?

Onde está o Ministério Público, que deve atuar na defesa dos direitos coletivos da população?

Enquanto isso, chama atenção a rapidez e a organização quando o assunto é festa. Desde janeiro, a gestão já anuncia com entusiasmo a grade do evento de maio, com atrações como Léo Santana, Pablo, Psirico, Toque Dez, Neto Brito e Tony Salles. Estrutura definida, local planejado e divulgação antecipada. Organização exemplar quando se trata de entretenimento.

Não se trata de ser contra festas. Cultura e lazer também são importantes. O que não se pode aceitar é a inversão de prioridades. Na festa anterior, uma praça e uma academia de saúde foram destruídas. Agora, a proposta é comprometer a estrutura do campo de futebol. O patrimônio público, que deveria servir à comunidade durante todo o ano, acaba sendo utilizado para eventos pontuais, enquanto obras essenciais seguem sem conclusão.

A gestão tem sido marcada por muitos anúncios e poucas entregas. Obras começam e não terminam. Novos projetos são divulgados antes da conclusão dos anteriores. Há ainda relatos de furtos em repartições públicas, conflitos entre servidores e um ambiente administrativo instável. Tudo isso reforça a sensação de desorganização e falta de direção.

Gestão pública exige responsabilidade, planejamento, cronograma e transparência. Educação não pode ser tratada com improviso. Nossos jovens precisam de estabilidade, estrutura adequada e respeito.

Quando há eficiência para montar palcos, mas não para garantir salas de aula, fica evidente que o problema não é incapacidade — é prioridade.

Jussari merece uma gestão que planeje antes de agir, que conclua antes de anunciar e que coloque a educação no centro das decisões. Nossos alunos merecem respeito.



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